A Lone Star já não está vendedora do empreendimento e vai relançar a oferta de casas.

Há novos ventos a soprar no desenvolvimento de Vilamoura — e, ironicamente, numa altura em que o mercado parou com a pandemia da covid-19. A Lone Star, proprietária do empreendimento, está a avançar com o projeto que era a ‘cereja em cima do bolo’ do masterplan, a Cidade Lacustre, que andava há vários anos a marinar e que na nova versão vai totalizar investimentos de €650 milhões, tendo agora menos densidade de construção e mais espaços naturais.

“A Cidade Lacustre é a peça central que vai efetivamente completar o projeto de Vilamoura e tirar a pressão que existe sobre a marina”, frisa Rob Jenner, o novo CEO da Vilamoura World, em funções desde outubro, que se diz admirador dos ideais de André Jordan e Cupertino de Miranda, mentores do conceito de “criar uma zona nova, com baixa densidade de construção, a fazer a conexão entre a marina e o centro urbano com o resto de Vilamoura. Tal como era originalmente previsto, vai ser um grande projeto para Portugal e para atrair investimento ao Algarve”.

O projeto é uma versão melhorada do Vilamoura Lakes, que a Lone Star tinha apresentado em 2015, em que foi reduzida a área de construção e dos lagos, e também já acomoda uma série de alterações, na sequência do crivo de aprovações de que foi alvo, estando na reta final para ter ‘luz verde’, cuja decisão cabe à CCDR-Algarve. No âmbito da Cidade Lacustre, foi ainda acordada a doação por parte da Vilamoura World à Câmara Municipal de Loulé do Museu Arqueológico Cerro da Vila, com ruínas romanas, além de 80 mil metros quadrados de terrenos adjacentes.

“Em princípio, teremos a decisão este verão e, assumindo que é aprovado, os nossos trabalhos começam já no próximo ano”, adianta Rob Jenner, referindo que “a ideia é criar uma ilha central de entretenimento, com casas à volta dos lagos”, e que “a nova versão do projeto envolve fazer lagos de água salgada, para não haver mosquitos, e que será bombeada no mar”. O responsável adverte que é um projeto que “vai levar muito tempo”, sendo preciso uma meia dúzia de anos até se verem as primeiras casas. “Quantas villas, townhouses, apartamentos ou hotéis vamos fazer, isso é algo que podemos refinar e estudar ao detalhe, numa outra fase, com a CCDR, a Câmara e todas as outras entidades envolvidas.”

Pôr a andar o projeto da Cidade Lacustre, que se propõe criar 800 novos empregos na fase de construção e 500 de operação, é um sinal de que a Lone Star deixou de estar ativamente à procura de compradores para o empreendimento em Vilamoura. “Houve um processo de venda iniciado há uns anos, que não deu em nada, e de momento não está no radar”, refere Rob Jenner, frisando ainda que o facto de a Lone Star ser dona do novo banco em nada interfere com os desenvolvimentos no Algarve. “O fundo da Lone Star que detém Vilamoura é completamente diferente do que detém o novo banco. Há uma política clara de separação de interesses, e nós não temos nada a ver com o Novo Banco, nem sequer podemos pedir empréstimos, o nosso parceiro bancário é o Santander.”

Casas para responder à Covid-19

Além da Cidade Lacustre, outras prioridades de Rob Jenner em Vilamoura vão estar em projetos que envolvem investimentos adicionais de cerca de €150 milhões, o que inclui o condomínio Quintinhas, junto à escola internacional, onde 16 moradias já foram vendidas. “O plano aqui é criar casas clássicas, com zero de consumo energético e abastecidas unicamente pelo sol, o que envolve criar oferta diferenciada dentro de um conceito de viver sustentável”, faz notar. Em primeiro plano, também estará o projeto Uptown, na zona junto aos campos de golfe, onde se pretende criar uma nova centralidade, com moradias e uma zona comercial de apoio.

A discoteca Bliss vai deixar de funcionar ali, por se querer criar uma zona sem ruído, nascendo no seu lugar um mercado ou uma mercearia de apoio aos residentes. Rob Jenner adianta o objetivo de fazer um hotel junto ao centro equestre, gerido por António Moura, “que é uma gema dentro de Vilamoura e que já se tornou no maior centro do mundo em provas de saltos de cavalos. Entre fevereiro e abril temos aqui entre 900 e 1.000 cavalos, e até as filhas de Bill Gates e de Bruce Springsteen vêm cá fazer provas de saltos”.

Um projeto que move o gestor de forma particular é a criação de um porto para atrair superiates, que não podem ficar ancorados na marina devido às sua dimensões. Designado de Sea View, o projeto envolve reconverter as instalações em frente ao mar onde atualmente se armazena material náutico e criar uma zona com restaurantes de “alta qualidade e para pessoas super-ricas de todo o mundo”.

“É uma peça importante para Vilamoura, os visitantes assim que chegam vão sentir essa vibe e ver algo glamuroso”, nota Rob Jenner, frisando que atrair barcos maiores “é um projeto para trazer dinheiro ao Algarve, e também empregos. Essas pessoas vão consumir na região e podem ser clientes de casas. O meu desejo era conseguir ter aqui uns 40 superiates”. O projeto Sea View irá envolver investimentos de €10 milhões a €12 milhões, que serão integralmente assumidos pela Vilamoura World.

Mas o modelo geral de projetos financeiramente volumosos, como a Cidade Lacustre de €650 milhões, é o de fazer parcerias com investidores . “Nós somos o masterplanner , os guardiões da forma como Vilamoura é desenvolvida. Vendemos lotes de terra, e são os particulares que constroem. A nossa missão é zelar para que o ambiente de investimento seja seguro, sustentável e aceitável pela comunidade”, explicita.

Os projetos da Lone Star em Vilamoura já estavam em marcha, quando apanharam em cheio com a pandemia do coronavírus. “Ficámos surpreendidos, porque até vendemos casas e assinámos escrituras durante a pior fase da crise”, refere Rob Jenner, prevendo que “a crise da covid-19 pode trazer uma procura maior por casas individuais, como villas, townhouses ou apartamentos, onde as pessoas podem cozinhar para si próprias e não estão rodeadas de muita gente”.

As casas que se preparam no empreendimento têm potencial para responder às tendências que emergiram com pandemia, no sentido de se trabalhar mais à distância. “O projeto em si está adaptado à covid-19. Vilamoura é o sítio ideal para viver e funcionando em teletrabalho, num ambiente seguro e com baixa densidade”, considera o gestor. “Com a covid-19, vimos o mercado de capitais cair 20% numa semana, e comprar casas torna-se um investimento relativamente seguro. As pessoas vão querer sair de grandes cidades, e Vilamoura é um ótimo sítio para investir, não só para ter uma casa de férias mas para viver todo o ano e trabalhar a partir daqui.”

Mas enfatiza ser “muito cedo” para antecipar, em tempos tão incertos, como o mercado irá se comportar no Algarve, uma região que depende do turismo, o que no imediato lhe traz preocupações, em particular relativamente ao retomar do transporte aéreo, para trazer mercados externos. “Ao princípio fiquei aterrorizado, mas Portugal fez um bom trabalho a lidar com a crise, fechou tudo rapidamente, e os portugueses têm sido muito conscientes na forma como se comportam”, reconhece.

Olhando à frente, o ambiente é uma das principais bandeiras do projeto da Cidade Lacustre, que “vai ter energia renovável, reutilização de água e uma construção integrada em que se vai usar por exemplo cimento inteligente, mas isto é apenas parte do meu sonho em Vilamoura, que é construir um projeto inteiramente sustentável, e este é um projeto de longo prazo”, aponta Rob Jenner, que se afirma empenhado em via a fazer investimentos no armazenamento de água potável, para quando uma inevitabilidade chegar podermos estar preparados”.

“A água é um bem precioso, e sobretudo para o Algarve. Temos de ser mais criteriosos e parar de usar água que se pode beber a regar campos de golfe e espaços públicos ou a lavar barcos, por exemplo”, defende. Casado com uma portuguesa e a viver permanentemente em Vilamoura há vários anos, Rob Jenner garante sentir na pele o mesmo que os algarvios. “Eu gero energia solar a partir da minha casa, desde miúdo que sou cauteloso com as questões de sustentabilidade, o que não é novo pra mim. Não estou aqui para construir algo que cause estragos ao ambiente de Vilamoura, o que genuinamente me preocupa, pois eu próprio vivo aqui”, conclui.

Fonte: Expresso


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