Mega-projeto imobiliário da Vanguard Properties começa em dezembro com trabalhos de infraestruturas no primeiro de dois lotes. As obras têm a duração de dois anos numa área de 365 hectares.

O megaprojeto da Comporta promovido pela Vanguard Properties, do milionário francês Claude Berda, começa a tomar forma. No início de dezembro, começam os trabalhos de infraestruturas para os 365 hectares do lote Torre — Terras da Comporta (Grândola) que, em conjunto com o Dunas (Alcácer do Sal), integra o projeto que a empresa está a desenvolver na zona, num investimento total estimado em €2300 milhões.

“Decidimos fazer todos os trabalhos de infraestrutura do Torre de uma só vez. A pandemia não comprometeu os timings do projeto”, disse ao Expresso José Cardoso Botelho, diretor-geral da Vanguard. O prazo de conclusão das obras é de dois anos e o valor total da empreitada ronda os €30 milhões.

“O estaleiro começa a ser montado assim que for assinado o contrato, aproveitando as sinergias que temos na região”, acrescentou José Teixeira, presidente e fundador do DST, o grupo de construção que venceu o concurso entre 11 concorrentes. José Teixeira destaca o grau de sofisticação do promotor e a extrema exigência na sustentabilidade ambiental e a durabilidade dos materiais que são exigidos. A fiscalização foi entregue à Tecnoplano.

Avaliado em €850 milhões, o Torre é um projeto misto, com componentes hoteleiras, residencial, cultural e desportiva. Para os 365 hectares, estão previstos 245 lotes para moradias, três aldeamentos turísticos (50+256+136 unidades de alojamento), duas unidades hoteleiras (210+225 quartos) e dois aparthotéis (178+263 unidades de alojamento), entre outros equipamentos.

POOL DE ARQUITETOS

A coordenação geral do empreendimento é da responsabilidade da Saraiva e Associados. “Vamos contratar arquitetos nacionais e internacionais para desenvolver em conjunto os projetos”, diz Miguel Saraiva, salientando que não faria sentido ser apenas um arquiteto em todo o território.

“São 289 mil m2 de construção, mas está a ser equacionado reduzir substancialmente a ocupação aprovada no plano de pormenor”, diz, acrescentando que o projeto é “uma maratona e não um sprint”. O arquiteto salienta que não se vai tratar de uma mostra ou concurso de arquitetura, “porque comprometeria” o respeito pelo território, pelo investimento e pelas pessoas. “O edificado é disperso e de pequena escala, sobretudo habitações térreas e unidades hoteleiras com um máximo de quatro pisos”, adiantou.

Integração na paisagem, uso de materiais sustentáveis, utilização de energia solar da forma mais eficiente possível e o respeito pelo ambiente, são para Cardoso Botelho alguns dos trunfos do empreendimento, que conta também com uma estação de tratamento de efluentes cuja água tratada servirá para regar as zonas verdes.

ATRAIR E FIXAR RESIDENTES

Se numa primeira fase é a vertente turística que de algum modo será privilegiada, até para se afirmar como destino, Cardoso Botelho não esconde a intenção de transformar a Comporta numa zona residencial.

“O que existe é uma oferta muito limitada de equipamentos e que é sobretudo orientada para o veraneio. E estamos muito próximos de Lisboa”, afirma. O responsável lembra que, desde o início da pandemia, a procura de casa como primeira habitação cresceu exponencialmente na Muda, outro projeto que a Vanguard está a desenvolver na região.

“Vamos criar âncoras como escolas, uma clínica médica, academias de desporto, entre outros, que possam combater sazonalidade, criar emprego e, assim, atrair e fixar residentes para a Comporta”, salienta. Além de dois campos de golfe, um na Torre e outro no Dunas e respetivas club-house, o projeto prevê academias de ténis, padel, golfe e de futebol, para atrair equipas internacionais. “A Vanguard está a promover a abertura de duas escolas, uma com um programa internacional em inglês e francês e outra basea­da num conceito internacional virado para o ensino de áreas ambientais”, adiantou.

A componente hoteleira do projeto é importante, tanto mais que na região existem apenas duas unidades. “A Vanguard está a negociar com várias marcas internacionais a possível localização na zona”, adiantou Cardoso Botelho, que não quis avançar nomes. Porém, refere que algumas das cadeias hoteleiras em questão vão explorar o segmento de wellbeing — um conceito que integra bem-estar e saúde, mas que não é turismo médico.

Com uma área de 565 hectares e mais 480 hectares de cordão florestal, o Dunas irá arrancar assim que estejam resolvidos trâmites burocráticos, adiantou Cardoso Botelho.

NÚMEROS

245

lotes para moradias é a oferta prevista para o segmento residencial no Comporta Torre

850

milhões de euros é o total de investimento no Comporta Torre, que ficará implantado numa área de 365 hectares

4

andares é a volumetria máxima permitida aos dois hotéis, num projeto caracterizado por um edificado disperso e de pequena escala

Fonte: Expresso


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