Britânica Astons diz que Montenegro, Suíça e Portugal são os países que mais oferecem novas casas.

Portugal é o único país da União Europeia que se encontra entre os três melhores 20 destinos para comprar uma casa nova na Europa com recurso a um programa de vistos gold, que inclui Autorização de Residência para Investimento (ARI) ou mesmo a concessão de cidadania, os chamados “passaportes dourados”.

A conclusão é de um estudo da consultora britânica Astons, que destaca o Montenegro, Suí­ça e Portugal entre 20 países no mundo que têm programas de atração de investimento por intermédio de vistos gold, classificados consoante a oferta de casas novas no total dos imóveis disponíveis em janeiro de 2021.

A consultora destaca que estes países estão a ser muito procurados por parte de investidores britânicos como forma de ultrapassar as dificuldades colocadas pela saída do Reino Unido da União Europeia.

O estudo da Astons faz o “retrato” da oferta existente neste momento, mas não refere que em Portugal o Governo decidiu acabar com os vistos gold nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, bem como no Algarve.

A partir de 1 de julho deste ano começa a vigorar a medida, que conta com um período de transição de dois anos, em que os montantes de investimento para a obtenção da ARI nestas zonas serão progressivamente aumentados até deixar de ser possível investir nas regiões referidas. Porém, não há ainda qualquer indicação de como será feito. “Uma das alterações da legislação com impacto mais significativo será a alteração dos requisitos de investimento em imóveis situados nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto (onde atualmente se concentram a maioria dos imóveis que fundamentaram os pedidos de Golden Visa)”, explica Anabela Silva, sócia da Ernst & Young.

Deste modo, “é expectável que nos próximos meses, até junho de 2021, se possa verificar um aumento (significativo) de procura de imóveis localizados nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto”, salienta a responsável pela área de Peo­ple Advisory Services.

Já Arthur Sarkisian, diretor executivo da Astons, lembra que a disponibilidade de imóveis desempenha um papel fundamental no processo de tomada de decisão de investir num programa que ofereça cidadania ou autorização de residência para investimento, “não apenas comercialmente mas também do ponto de vista da residência”.

O responsável salienta que analisar as opções de investimento com base no nível de novas residências que chegam ao mercado “é um bom indicador de quais os países cuja economia está a prosperar mais”.

Se o investimento imobiliário é uma boa oportunidade para a obtenção de um visto gold, a Astons destaca que, frequentemente, a compra de uma residência e não de um imóvel comercial é um fator decisivo na decisão do investidor.

MONTENEGRO – LIDERA A LISTA

O estudo salienta que as condições oferecidas pelo Montenegro são “uma via rápida” para a obtenção de um passaporte europeu. A Astons dá como exemplo os investimentos aprovados pelo Governo da república balcânica, como hotéis e resorts, em que o montante mínimo necessário é de €250 mil no norte e de €450 mil na mais apetecida região sul.

Mas é na oferta de novas construções que o Montenegro lidera. Segundo a Astons, 36% de todas as propriedades listadas para venda neste início de 2021 são novas construções.

No Montenegro, “as casas novas são responsáveis por 36% da oferta atualmente disponível. Com os novos edifícios residenciais a representar 21%, a Suíça ocupa também uma posição elevada, em conjunto com Portugal (19%)”, lê-se no estudo. Seguem-se a Espanha (17% de casas novas) — país apenas com autorização de residência, tal como Portugal —, a Turquia (16%) e a Bulgária (15%) — estes com passaportes dourados — e o Chipre (11%), com ARI. Na Europa, a Astons destaca ainda Malta — que tem um programa misto de passaportes dourados e de vistos — com 9% de oferta de novos imóveis.

O fator da construção nova “pode traduzir-se numa maior competitividade e atratividade de Portugal na área imobiliária, contudo não dispomos de estatísticas que nos permitam validar estes dados”, conclui Anabela Silva.

ENQUADRAMENTO

Regime português

O regime de Autorização de Residência para Investimento (ARI), nome técnico dos vistos gold, prevê a concessão de uma autorização de residência por cinco anos a um cidadão de um país de fora do espaço europeu que invista em imóveis pelo menos €500 mil. Existem cinco outras formas de ARI que não passam pelo imobiliário.

Passaporte

Ao contrário de outros países, como Malta, Chipre ou Bulgária, em Portugal a concessão de cidadania não é automática nem depende de se ter ou não se ter visto gold.

Captação de investimento

O sector do imobiliário é de longe o que maior volume de investimento estrangeiro captou com as ARI — mais de €5,5 mil milhões (94% do total de vistos concedidos) desde 2012.

Fonte: Expresso


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