Confederação do Turismo de Portugal antecipa para o sector um crescimento de receitas de 7% em ano de “abrandamento”.

Para o turismo, foi considerado um ano de “abrandamento”, mas ainda assim continuaram-se a bater recordes — e a ganhar ‘óscares’ como melhor destino do mundo. Contas feitas com base nos dados do Banco de Portugal, a Confederação do Turismo de Portugal (CTP) avança projeções no sentido de fechar 2019 com um crescimento de cerca de 7% nas receitas turísticas, que deverão atingir €18 mil milhões. Trata-se de um valor que ultrapassa as próprias metas definidas para 2020, cujo teto máximo era de €16,3 mil milhões segundo a Estratégia Turismo 2027 (e que, recorde-se, já foi superado em 2018). E também está acima das previsões avançadas em setembro pelo Governo, ao anunciar que as receitas turísticas deveriam, no final do ano, ultrapassar os €17 mil milhões, num aumento superior a 6%.

“O desempenho do turismo em 2019 irá ficar acima de todas as previsões, evidenciando um crescimento sustentado da atividade que mais tem contribuído para o desenvolvimento económico e social do país”, salienta Francisco Calheiros, presidente da CTP, enfatizando aqui o contributo de 90% que o sector irá assumir em 2019 para a balança de serviços e o aumento das exportações.

Segundo as projeções da CTP, o saldo da balança turística, que incorpora a soma do saldo do transporte aéreo com o das viagens e turismo, irá este ano situar-se nos €15 mil milhões (ver quadro), representando um aumento de 2,7%.

Fonte: Confederação do Turismo de Portugal

Também o negócio das agências de viagens prosperou em 2019, o que é visível no crescimentio de 18% do valor das deslocações ao exterior dos residentes em Portugal, que deverá atingir no final do ano € 5,5 mil milhões (o que é considerado despesa para efeitos de balança de turismo, uma vez que se refere a importações).

Não se sofreu com o ‘Brexit’

O ano deverá fechar com um total de dormidas de 57 milhões, equivalendo a um aumento marginal de 0,8% face a 2018, conforme avança ainda a CTP – realçando que em todas as regiões “os proveitos crescem muito acima das dormidas, com exceção da Madeira”.

Mais uma vez, 2019 trouxe a vitória dos destinos mais pequenos, com o norte e o centro do país, a par do Alentejo ou dos Açores, a registarem os maiores crescimentos.

O destaque vai para os Açores, região que acabou de ser certificada como destino de turismo sustentável, sendo o primeiro arquipélago do mundo a conquistar este ‘selo’ da Earthcheck com a chancela do Conselho Global do Turismo Sustentável (GSTC na sigla original, que reúne várias agências das Nações Unidas).

Nos Açores é esperado em 2019 um resultado recorde de três milhões de dormidas, mais um milhão que no ano passado, e o aumento nos primeiros nove meses atingiu 17%. Segundo Marta Guerreiro, secretária Regional de Energia, Ambiente e Turismo, este crescimento não traz conflito à região, que se quer mostrar ao mundo como um destino sustentável.

“Queremos continuar a crescer em quantidade, porque temos condições para isso, mas também em qualidade e em valor, de forma a trazer melhor vida à população. O turismo só é bom para os Açores se for bom para os açorianos”, defende a responsável do turismo dos Açores, garantindo que “não somos, nem queremos ser, um destino de turismo de massas”.

Um aeroporto ‘enguiçado’

Em antecipação aos resultados de 2019, a CTP também sublinha o desempenho positivo do Algarve, o que “surpreendeu, apesar do ‘Brexit'”. O atribulado processo da saída do Reino Unido acabou por não fazer mossa no Algarve e até teve o efeito de pôr mais britânicos a comprar casa na região – que não deixou de se ressentir com quebras acentuadas de alemães e holandeses, compensadas com aumento de portugueses, espanhóis ou holandeses, além de outras nacionalidades.

Portugal continua na moda e com a notoriedade em alta, como atestam os recentes 12 ‘óscares’ de turismo, entre os quais o prémio máximo dos World Travel Awards, o de melhor destino do mundo (também Lisboa foi eleita como melhor destino de short break e a Madeira a melhor ilha turística do globo). No sector é destacado que todos os indicadores correm bem: proveitos a crescer mais que as dormidas, a sazonalidade a reduzir-se, com maior afluência fora da época alta, e uma maior dispersão de turistas por território, incluindo o interior.

A nota negativa está na estada média dos turistas, que continua a cair desde os últimos 5 anos – até setembro, não foi além de 2,64 noites, menos de 2,8% que em 2018 -, e de momento o ‘cavalo de batalha’ para o sector é conseguir que estes fiquem mais tempo. Rita Marques, secretária de Estado do Turismo, enfatizou no último congresso da associação de hotelaria estar aqui uma das prioridades a trabalhar, “num esforço para que esta média aumente, pois Portugal tem muito a visitar”.

O principal obstáculo para os próximos anos continua a ser a saturação do aeroporto de Lisboa, a principal porta de distribuição para todo o país, e as incertezas que ainda pesam sobre o Montijo. Com a oferta hoteleira a crescer, os empresários reclamam uma decisão rápida sobre o novo aeroporto. Pedro Costa Ferreira, presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), já frisou que “seria para nós frustrante se a cerimónia de há um ano, que reuniu centenas de pessoas na Base Aérea do Montijo, não tiver sido mais que uma brincadeira de mau gosto”.

O que falta resolver

6,9%

foi o crescimento dos passageiros desembarcados nos aeroportos nacionais até setembro, destacando-se aqui Faro, Açores, e sobretudo Porto e Lisboa, neste último caso apesar de a Portela estar à beira do limite. O sector queixa-se de perder por ano mais de dois milhões de turistas por falta de capacidade do aeroporto de Lisboa e reclama uma resposta “urgente” relativamente ao Montijo.

2,64

noites é a estada média dos turistas no país, menos 2,8% que em 2018. A queda na permanência dos turistas dos últimos anos é o indicador mais negativo em Portugal, sendo o desafio conseguir com que fiquem mais tempo.

Fonte: Expresso


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