Turismo residencial. A Associação Portuguesa de Resorts fez as contas do investimento previsto no setor.

Os resorts nacionais vão investir cerca de €1200 milhões nos próximo cinco anos, disse ao Expresso Rui Meneses Ferreira que, desde agosto, é o novo presidente da Associação Portuguesa de Resorts.

“São projetos que se dividem em unidades de turismo residencial, que têm consolidação por via de hotéis e outras infraestruturas”, acrescentou.

O volume de investimento previsto resulta de um apanhado feito pela APR junto das suas duas dezenas de associados que possuem mais de 30 resorts em Portugal. “Não estão incluídos novos resorts. Trata-se de expansão, melhoramento, requalificação e desenvolvimento, porque muitas unidades estão ainda numa fase embrionária”, acrescentou Pedro Fontainhas, diretor executivo da APR.

“O maior volume de investimento previsto está no Algarve, que representa 70% do total. Seguem-se a costa alentejana e a região de Lisboa, que repartem, de forma equitativa os 30% restantes”, explica Rui Meneses Ferreira.

O Ombria Resort, no interior do concelho de Loulé, o Palmares Ocean Living & Golf, na Meia Praia (Lagos), e novos desenvolvimentos dentro do perímetro de Vilamoura e de Vale do Lobo são algumas das unidades que deverão entrar em funcionamento no Algarve em 2020 – 2021. O Sonae Troia Resort e o novo desenvolvimento do Belas Clube de Campo levado a cabo pela Alrisa, imobiliária do grupo Alvez Ribeiro, são outros exemplos da carteira de investimentos prevista. O Grupo Pestana, Vilalara Pine Cliffs, Sheraton Cascais, Herdade da Comporta e Praia D’EL Rey são alguns dos outros associados.

Para os dois responsáveis da associação, Portugal está na moda e “a nossa expectativa é que o turismo residencial vai continuar a crescer em Portugal”. Além das razões tradicionais, as infraestruturas são também muito relevantes. “Portugal é muito competitivo tanto a nível rodoviário, como de telecomunicações e em alguns serviços públicos como a saúde, onde em 2018 éramos o 12º a nível mundial”, destaca Pedro Fontainhas.

‘Brexit’ e domínio britânico

O Reino Unido continua a ser o mercado mais importante para o turismo residencial. “Depende das zonas, mas no eixo Albufeira-Loulé representa mais de 50% dos compradores. O mercado sueco também tem crescido nos últimos anos, em particular na zona de Lagos, onde começam a destronar os britânicos. Já na costa alentejana serão os franceses que começam a substituir os britânicos”, diz Rui Meneses Ferreira.

“Algumas zonas do país começam também a ter compradores espanhóis, mas queremos desenvolver esse mercado ‘natural’, pois ainda não tem a expressividade que gostaríamos”, acrescenta.

O processo de saída do Reino Unido da União Europeia, anunciado em junho de 2016, apesar de ter gerado alguma ressaca no mercado de turismo residencial – sobretudo no momento pós-referendo e quando foi acionado o artigo 50 (29 de março de 2017) – teve um reflexo limitado no mercado português. “O ‘Brexit’ será muito mais suave do que antecipamos. E Portugal pode ser uma oportunidade de refúgio para investimentos em euros”, diz Meneses Ferreira. “O principal fator de preocupação é a evolução da libra. Se cair muito, pode ser problemático”, acrescenta Pedro Fontainhas.

“Como há um conjunto importante de projetos a sair do papel nos próximos dois a três anos, é natural que exista um aumento significativo da procura. Prevemos que o nível das transações acompanhe o nível de investimento”, explica Meneses Ferreira.

Os compradores estão cada vez mais exigentes. Procuram, além de uma arquitetura diferenciada, todo um conjunto de serviços, lazer e de acessibilidades. Não existe uma tipologia padrão de residências que seja a mais procurada. “Muito do turismo residencial hoje é feito numa lógica de utilização parcial. Por isso, a tipologia tem que enquadrar-se numa lógica de ocupação hoteleira. Usa-se o imóvel e rentabiliza-se o investimento no resto do ano”, explica Meneses Ferreira. O presidente da APR salienta que muitos resorts estão associados a uma componente hoteleira de marca internacional que permite alavancar o investimento no turismo residencial.

“Pode não ser um hotel no sentido clássico, mas branded residences – residências com marca – que todas as grandes cadeias hoteleiras possuem.”

Apesar da concorrência internacional, Pedro Fontainhas destaca que as unidades portuguesas ganham em muitos itens em relação a congéneres estrangeiras. Refere um estudo independente feito pela Savills em 2018 em nove países que atribui o primeiro lugar a Portugal, com 63,4 pontos. Seguem-se Chipre (62,3), Espanha (57) e Turquia (56,4), sendo o melhor desempenho de Portugal registado nas categorias “Regime Fiscal e Incentivos” – especialmente no critério Custos de Aquisição de Propriedade, “Governança Mundial” – que inclui critérios como Estabilidade Política, Qualidade Regulatória, ou Controlo da Corrupção, e “Facilidade de Negócios” – com uma taxa de desemprego inferior à média dos países analisados.

Vistos gold e Fisco

A questão de alterações na fiscalidade e nos chamados vistos gold, nome pelo qual é conhecido a Autorização de Residência para Atividade de Investimento, é pacífica para os responsáveis da APR. Porém, não deixam de expressar algumas interrogações quanto às críticas que se levantam e quanto ao facto de estar em estudo a limitação do investimento dos vistos gold para fora dos grandes centros urbanos. Esta medida permitiu a entrada de cerca de € 4.900 milhões em Portugal, 90% dos quais em aquisição de imobiliário.

“Por cada mil imóveis vendidos em 2018, só sete é que são atribuíveis a vistos gold, e representam 3% do valor total”, diz Meneses Ferreira. Os responsáveis da APR lembram que, segundo o INE, no ano passado realizaram-se 178.691 transações de imóveis num valor total de € 24,1 mil milhões. No mesmo ano, foram atribuídos 1.332 vistos para investimento imobiliário num total de € 762,4 milhões. Ou seja, com um investimento médio de € 572 mil por cada visto concedido, 0,007% das transações a nível nacional corresponderam a 3% do valor transacionado. “É uma fatia demasiado pequena. Dizer a este tipo de investidores que deixam de poder investir nas cidades e só podem fazer no campo, pode ser um tiro no pé”, acrescenta Fontainhas.

O diretor executivo da APR cita um estudo feito pela associação e pela PwC que conclui que cada novo residente que realize investimento direto de, por exemplo, € 500 mil numa moradia, gasta um total de € 1.6 milhões, só no primeiro ano. Para o Estado vão € 44.700 só em impostos diretos e são criados 2,12 empregos na construção e 2,03 na exploração e manutenção dos imóveis.

Quanto ao regime fiscal para residentes não-habituais (RNH), em vigor desde 2009, Fontainhas lembra que o Estado arrecadou € 133,9 milhões de coleta líquida de IRS em 2016 e 2017. Para grupo de trabalho das Finanças, terão deixado de entrar € 870,7 milhões devido aos benefícios atribuídos. O RNH abrange pessoas que não tenham residência fiscal há mais de cinco anos e aplica-se inclusivamente a portugueses, ora se as supostas perdas de imposto originarem a sua extinção, deixavam de entrar um único euro nos cofres do Estado. “A instalação de um novo residente tem um efeito multiplicador mais vasto do que a coleta de impostos diretos”, salienta.

Dos cerca de 29 mil beneficiários deste regime, 73% têm profissões de elevado valor acrescentado.

Fonte: Expresso


1 comentário

ปั้มไลค์ · maio 25, 2020 às 5:29 am

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