Sector fecha 2020 com quebra de 14%, mas regista alguns dos maiores negócios de sempre em Portugal.

O imobiliário comercial não viveu alheio à pandemia em 2020, mas, mesmo assim, conseguiu registar alguns dos melhores negócios de sempre no segmento comercial, do retalho aos escritórios e à hotelaria. Na verdade, “com a entrada da Allianz e da Elo no Sierra Prime, tivemos o maior negócio de sempre no retalho em Portugal e uma operação que vale, sozinha, 30% do mercado”, diz Paulo Sarmento, partner e diretor de Capital Markets da Cushman & Wakefield.

Em causa está uma parceria que inclui quatro ativos no país — Centro Colombo, Centro Vasco da Gama, CascaiShopping e NorteShopping — e dois em Espanha — Plaza Mayor e McArthurGlen Designer Outlet Málaga — e um negócio que soma €800 milhões só na parte respeitante a Portugal, considerando que a Sonae Sierra e a AP venderam 50% deste pacote à Allianz e à Elo.

Mas no balanço dos grandes negócios do ano há mais um registo que entra para a história no segmento dos escritórios: a venda do Lagoas Park pela Kildare à Henderson Park, por €421 milhões, entra diretamente no top 5 das maiores operações de sempre, sublinha Paulo Sarmento, sem esquecer que esta foi uma transação off-market, uma vez que o ativo não estava no mercado, e este tipo de operações é cada vez mais frequente em Portugal.

Na hotelaria, o segmento mais afetado pela pandemia, a venda dos hotéis Real à Palminveste, por €300 milhões, também permitiu fechar o ano com €360 milhões transacionados. “Não é um recorde, mas representa o segundo maior registo de sempre no país.”

Feitas todas as contas, o investimento em imobiliário comercial somou €2,8 mil milhões em 2020. É um valor que fica 14% abaixo do de 2019 e 30% abaixo das previsões pré-pandémicas, mas representa o terceiro maior resultado de sempre em termos de volume e tem 55% do total concentrados em três negócios. “Foi um ano que ficou aquém dos dois exercícios anteriores, em que se atingiu a barreira dos €3 mil milhões, mas, mesmo assim, viu concretizarem-se dois dos maiores negócios de sempre do sector, o que, só por si, é um sinal de otimismo e mostra que os investidores continuam a olhar para Portugal e a acreditar no longo prazo”, comenta Paulo Sarmento.

Outro indicador em destaque é o facto de “o interesse dos investidores estrangeiros pelo mercado português se ter mantido, ao contrário do ocorrido na anterior crise económica”, acrescenta, atento ao facto de o capital estrangeiro representar 75% do valor transacionado, com destaque para alemães (€555 milhões) e ingleses (€516 milhões).

A análise revela que o retalho, apesar de se ter ressentido das restrições impostas ao funcionamento do comércio e de ter contabilizado apenas 370 novas aberturas em 2020, correspondentes a uma área de 92.100 m2, 60% abaixo dos valores de 2019, absorveu 40% do investimento, contra percentagens de 35% nos escritórios e de 18% na hotelaria.

Quanto à logística, transacionou 232.600 m2 entre janeiro e setembro, “mais do que duplicando o volume de 2019”.

Para 2021 prevê-se uma tendência de adiamento dos processos de tomada de decisão no primeiro semestre, mas potencialmente seguida de retoma da atividade. No mercado de investimento institucional, o volume de negócios com elevada probabilidade de concretização ronda os €1800 milhões em 2021, mas a este valor poderão somar-se mais €1800 milhões, correspondentes a “transações off-market e a negócios atualmente suspensos, mas com possibilidade de conclusão até 2022”.

Fonte: Expresso


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