Estrangeiros são responsáveis por 34% das compras de habitação na capital, revela estudo da Confidencial Imobiliário.

Investidores de 70 nacionalidades escolheram Lisboa para comprar casa no 1º semestre deste ano, onde investiram €343,9 milhões. No total, foram realizadas 759 operações por compradores internacionais, revela um estudo da revista “Confidencial Imobiliário” (CI) que incide na área de reabilitação de Lisboa (ARU).

Uma tendência que reforça a dinâmica de crescimento da procura estrangeira, responsável por €694,3 milhões de investimento no conjunto de 2018, quase duplicando os níveis registados nos dois anos anteriores (€298,7 milhões em 2016 e €375 milhões em 2017).

“Lisboa afirma-se como uma cidade internacional. A procura por estrangeiros começa a deixar de ser uma moda para se tornar uma característica estrutural”, afirmou ao Expresso Ricardo Magalhães, diretor da CI.

Do total de investimento de € 1,02 mil milhões realizado por particulares na ARU – que abrange quase toda a cidade, com exceção das freguesias do Parque das Nações, Lumiar e Santa Clara -, os investidores estrangeiros são responsáveis por 34% desse montante. A freguesia do centro histórico mais procurada no período em análise foi Santa Maria Maior , que disparou para 80% das compras efetuadas por estrangeiros, contra uma quota de 25% em igual período do ano passado.

Isto num momento em que “o investimento total na ARU de Lisboa abrandou 19% face ao mesmo período do ano passado, influenciado pela perda de dinâmica dos compradores domésticos, que investiram neste semestre € 682,3 milhões, menos 18% do que no 1º semestre de 2018”, lê-se no estudo da CI.

Além do aumento da quota, a tendência de reforço da dinâmica do investimento estrangeiro em 2019 é dada também, segundo os autores do estudo, pelo aumento de 15% do preço médio dos não residentes, para € 453 mil por operação, enquanto o dos compradores nacionais se manteve praticamente inalterado (€ 309,5 mil). “Os montantes médios por operação situam-se, no semestre, 46% acima dos dos portugueses, quase o dobro do fosso de 28% observado um ano antes.”

Com o aumento da quota de investidores estrangeiros e do número de países, “Lisboa começa a ficar mais imune à influência de fatores conjunturais”, acrescenta Ricardo Magalhães, referindo-se aos vistos gold – no aumento das compras de chineses – ou às vantagens fiscais – regime de residentes não habituais -, que inflacionaram a procura por parte dos cidadãos franceses. Dois países que continuam a dominar na capital (ver quadro).

Fonte: Confidencial Imobiliário

Refúgio em Lisboa

“A maior correlação que existe é entre os mercados que enfrentam turbulências ou instabilidade e que originam a necessidade de procura de um mercado do refúgio. Lisboa torna-se cada vez mais um destino de investimento”, explica o diretor da CI. Como exemplos surgem a Turquia, Itália – devido à crise bancária – e o Reino Unido, com o ‘Brexit’. “Os ingleses que não têm histórico em Lisboa e dominam no Algarve começam a aparecer na capital.”

“O principal desafio que agora se coloca à cidade é de como encontrar o equilíbrio com a procura doméstica.É preciso gerir esta nova realidade da cidade com inteligência e capacidade de planeamento. Serão precisas políticas que conciliem as necessidades dos lisboetas com a atração de investimento internacional”, salienta.

Das 70 nacionalidades que investiram na ARU nos primeiros seis meses – valor superior às 60 registadas em igual período do ano passado (no total de 2018 foram 79) -, os compradores de cinco países – França, China, Brasil, Reino Unido e EUA – continuam a responder por mais de metade (54%) do investimento (ver quadro). Porém, face a 2018, França e China perderam quota (23% e 16%, respetivamente.

“Mais importante que a diversificação da origem do investimento é o crescente equilíbrio entre as diferentes nacionalidades no que respeita ao volume investido”, salientam os autores do estudo. As freguesias da Misericórdia (€ 55,5 milhões) e de Santa Maria Maior (€ 54,9 milhões) mantêm-se como os principais centros das atenções dos investidores estrangeiros, cada uma com 16% do total. E este ano estas duas freguesias reforçaram a sua predominância. No caso da Misericórdia, a progressão foi de 11% para 16%, resultado de um aumento de 59% no investimento entre os dois semestres. Já em Santa Maria Maior a quota aumentou de 15% para 16%, ao refletir um aumento mais “tímido” de 16% no volume investido. Segundo CI, foi em Santa Maria Maior que 80% da habitação foram adquiridos por estrangeiros, enquanto na freguesia da Misericórdia os não nacionais respondem por 54% das compras. Em São Vicente, a outra freguesia que compõe a tríade do centro histórico, o investimento por estrangeiros representou 56% das compras, com o valor de € 20,3 milhões, ou seja, 6% do total da ARU e mais 10% face a igual período de 2018.

Campo de Ourique dispara 40%

Já a freguesia de Santo Antônio, que integra o eixo da Avenida da Liberdade, responde por 12% do investimento internacional (€ 42,8 milhões, mais 17% que no 1º semestre de 2018). Seguem-se Arroios, que perdeu a quota de 16% para 11% (€ 38,3 milhões), Estrela (€ 29,3 milhões) e Avenidas Novas (€ 25,1 milhões), com quotas de 9% e 7%, respetivamente.

Destacam-se ainda Campo de Ourique (€ 15,3 milhões) e Penha de França (€ 14,0 milhões), com 4% de investimento estrangeiro. “Enquanto Arroios e as Avenidas Novas perderam dinâmica (o volume investido caiu 21% e 19%, respetivamente), o investimento em Campo de Ourique e Penha de França disparou mais de 40%”. Entre as freguesias com quotas abaixo de 2% destacam-se os fortes crescimentos da Ajuda (+ 165%), Benfica (+ 111%), Carnide (+ 249%), Areeiro (+ 79%) e Campolide (+73%) na captação de investimento internacional, confirmando a tendência de maior disseminação”, lê-se no estudo. Os autores salientam que nos primeiros seis meses deste ano, na maioria das freguesias da cidade de Lisboa, o investimento estrangeiro raramente ultrapassou os 30% do total local. Os compradores estrangeiros predominam apenas no centro histórico, Santo António (48%), Arroios (47%) e Estrela (43%).

Fonte: Expresso


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