Gaia é a última aposta dos donos do Pine Cliffs, em expansão de sul para norte.

Depois do Algarve, Cascais e Lisboa, A UIP — United Investments Portugal voltou-se para Norte e vai investir €200 milhões na Quinta Marques Gomes, em Gaia, onde quer construir um empreendimento hoteleiro e residencial de luxo em várias fases, no prazo de sete anos. No acumulado de três décadas, os investimentos dos árabes do Al-Bahar Investment Group em Portugal ascendem já aos €500 milhões, em empreendimentos como o Pine Cliffs Resort (Algarve), Sheraton Cascais Resort e Hyatt Regency Lisboa. O Norte entrou na sua rota em 2018, com o lançamento do Yotel Porto, um projeto de €30 milhões, com 150 quartos, a inaugurar no final do ano, junto à estação de Metro da Trindade, e que marca a estreia da insígnia no país. Agora, a compra da Quinta Marques Gomes a um fundo do Novo Banco que herdou ativos do BES vem confirmar o seu interesse na região.

É o maior investimento do grupo do Kuwait no país até ao momento e “é um dos projetos mais ambiciosos do grupo, que assim reforça a presença em Portugal”, afirma Carlos Leal, diretor-geral da UIP, admitindo que “este é um bom momento no panorama turístico e imobiliário nacional”.

Preços são confidenciais

O interesse em Gaia surgiu no final do ano passado, quando Carlos Leal visitou o empreendimento. Há procura de novas oportunidades de negócio em Portugal, o gestor ficou “rendido à tranquilidade e à localização do local, frente ao Porto, sobre a foz do Douro, o que significa que fica em cima do rio e do Atlântico”. “Percebi que era um sítio único, à medida dos nossos projetos. Percebi que encaixava naquilo que somos como grupo”, comenta.

São 25 hectares com uma área de construção de 90 mil metros quadrados prontos a receber um boutique-hotel que promete trazer uma nova insígnia do sector para Portugal, um SPA da marca Serenity – The Art of Well Being, vivendas, moradias e alguns apartamentos. Na primeira fase, que começa agora a ser comercializada, há 98 frações com tipologias T3 a T5 e piscinas privadas. Só depois deverão arrancar os apartamentos, com tipologias ainda a definir, em função de estudos de mercado ainda a decorrer.

Preços? Ainda são confidenciais. O grupo está habituado a posicionar-se no segmento mais alto do mercado e quer manter essa estratégia em Gaia. Sabe que o metro quadrado aqui ainda não atinge os valores do Algarve e de Lisboa, mas acredita que estar aqui, na margem sul do Douro, não vai obrigar a descer a fasquia relativamente aos valores praticados na cidade do Porto. “Com as infraestruturas que vamos criar, a localização do complexo e a nossa gestão acreditamos poder competir diretamente com as zonas premium do Porto”, diz o diretor-geral. Na primeira fase da comercialização, a oferta é reservada aos investidores que já trabalham com a UIP e, só depois, dentrp de um mês, as habitações chegam ao mercado.

Alguns desses investidores acompanham o grupo em diferentes projetos, em Portugal e no estrangeiro, sendo que 30% dos clientes no resort Algarvio, a principal referência da UIP em Portugal, são, precisamente, da zona Norte do país. “Temos uma base de dados com 35 mil investidores e podemos dizer que ficaremos muito felizes se vendermos 15% das propriedades neste universo”, diz Carlos Leal.

Na conceção do projeto, a UIP acredita que um dos trunfos será a oportunidade de cada cliente costumizar a casa à sua medida, no interior, mas também no próprio projeto de arquitetura., uma vez que o desenho de cada habitação terá de ter o aval de uma comissão técnica e respeitar a harmonia do conjunto, mas o objetivo “é cada um ter a sua própria casa, e cada casa ser única”, adianta o diretor-geral.

Para o hotel, será recuperado o palacete de Marques Gomes, um exemplo da arquitetura brasileira da viragem do século XIX para o século XX, construído por Marques Gomes, um imigrante português que fez fortuna no comércio das madeiras no Brasil. Mas a par da casa existente, com receção, biblioteca e algumas suítes, nascerá outro edifício, quase enterrado na encosta, aproveitando o declive de 16 metros para se integrar na paisagem.

O conceito e a insígnia de luxo do hotel ainda estão, também, em fase de estudo e negociação, sendo certo que a UIP não prevê criar mais de 100 quartos e confia no potencial que tem em mãos, uma vez que, como diz Carlos Leal, o vizinho “The Yeatman, do grupo The Fladgate Partnership, e o Six Senses Douro Valley (Douro/Lamego) têm os preços médios mais altos do país”.

Serviço à la carte

Quando estiver terminado, este condomínio fechado combinará o segmento residencial para a primeira e segunda habitação, turismo e turismo residencial, juntando à oferta um SPA da marca própria Serenity – The Art of Well Being. E em todas as tipologias de habitação é possível beneficiar do “serviço comum à la carte” do complexo, da limpeza à alimentação.

“O que nos diferencia em relação a outros promotores imobiliários que compram, constroem e vendem é que nós ficamos sempre no projeto, em Portugal e em todos os outros locais do mundo onde o grupo está presente. Temos a gestão do empreendimento e temos uma âncora que pode ser hotelaria, comércio ou golfe, por exemplo. E isso permite-nos garantir a qualidade futura do empreendimento, continuar a acrescentar valor”, sustenta Carlos Leal, certo de que o imobiliário é “uma alternativa confortável de investimento à banca e à bolsa, pode ter uma rentabilidade interessante e oferece um ativo concreto”.

Filho de pais portugueses, nascido em Angola, criado na África do Sul, Carlos Leal acompanha os investimentos do grupo árabe em todo o mundo e acredita que a nova aposta da UIP no país “confirma que este é um bom momento para investir em Portugal”, no segmento de luxo. Aliás, o próprio presidente do grupo passou este mês pelo Porto, para visitar a zona e o projeto, e “reservou de imediato duas casas, uma para ele e outra para a mãe”, comenta.

A estudar outros investimentos em Portugal, com o foco no eixo Lisboa – Porto, a UIP, liderada pelo xeque Talar Al-Bahar e detida pela sua família em 93%, entrou também recentemente em Lisboa, onde está a construir o Hyatt Regency, junto ao Tejo, entre Alcântara e Belém, num investimento de €70 milhões que contempla quartos de hotel e apartamentos de luxo e deverá ser inaugurado no final do próximo ano.

UIP em Números

1500

pessoas trabalham no grupo, com presença em Portugal há 30 anos

1800

quartos na carteira de projetos da UIP que soma dois mil proprietários e membros

230

milhões de euros é o investimento em curso na zona do Porto, no Yotel Hotel Group (€30 milhões) e na Quinta Marques Gomes

70

milhões de euros é o investimento em curso no projeto Hyatt Regency que marca a entrada da cadeia Hyatt em Portugal, Lisboa. A abertura está prevista para o final de 2020.

Fonte: Expresso


1 comentário

ปั้มไลค์ · julho 2, 2020 às 9:52 pm

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