Surgem novos equipamentos no mercado e o “adormecimento” de alguns hotéis pode ditar reconversões, capazes de impulsionar o sector.

O negócio das residências para idosos regista um progresso constante e, apesar da pandemia, surgem novos investimentos numa área de negócio do sector imobiliário que não abrandou o ritmo de crescimento e tem programada a abertura de várias unidades em 2021. O grupo francês Orpea, que está em Portugal há dois anos, assume a vontade de continuar a investir e desenhou um plano para dispor de 24 unidade de senior living em Portugal.

A última unidade a abrir surgiu em Viseu, numa parceria com o Grupo Visabeira, construída de raiz e que ocupa um edifício de seis pisos com 40 quartos, numa zona de expansão da cidade. A multinacional francesa especialista em residências para seniores junta à oferta hoteleira serviços de medicina, enfermagem, fisioterapia e reabilitação. Um modelo de negócio “que vai muito para lá da tradicional residência”, afirma Frederico Vidal, diretor de operações. “Temos uma estratégia que implica dispor de 24 unidades em Portugal, muitas delas compreendidas no interior do país”, assume o responsável. Entre as novas localizações surgem Guarda, Castelo Branco e Évora, respondendo “a uma área de negócio que suscita uma elevada procura”.

INVESTIMENTO DE €22,8 MILHÕES

A construção surge em parceria com o Grupo Visabeira, a quem os franceses compraram o negócio da saúde por €22,8 milhões. Estas residências dispõem de enfermagem, fisioterapia e outros serviços de apoio e a abertura de novas unidades “pode aproveitar alguns hotéis que estão adormecidos, devido à crise do turismo”, explica Frederico Vidal. O negócio dos franceses “requer zonas comuns, salas de estar e quartos num sector de atividade que tem uma regulação rigorosa”, adianta. Frederico Vidal faz notar que “todas as residências possuem instalações adaptadas às necessidades dos utentes, prolongando o tempo de autonomia e retardando uma eventual situação de dependência”. Fatores que implicam “elevadas exigências, mas não pomos de parte a aquisição de alguns desses hotéis ociosos que possam ser transformados em residências seniores”, adianta.

A operação da Orpea em Portugal surge alicerçada na parceria com a Visabeira, que faz a construção das unidades. Como sucede nos antigos edifícios da Universidade Moderna, em Lisboa, onde o grupo francês tem prevista uma nova residência sénior, unidade que resulta de um investimento de €17 milhões.

Apesar de focada no mercado nacional, a operação da Orpea “não exclui” a captação de residentes estrangeiros, eventualmente mais no Algarve, mas será o mercado a ditar essa diferenciação”, conclui Frederico Vidal. E em todo o interior do país “há boas condições para estas unidades”, salienta Jorge Costa, administrador da Visabeira Turismo, Imobiliária e Serviços, a sub-holding do grupo que integra a construção.

O administrador considera que “existe um portefólio alargado de hotéis adormecidos, alguns dos quais podem ser facilmente reconvertidos, sobretudo os de construção mais recente”. O mesmo já não acontece “com os mais antigos”, acrescenta o administrador da Visabeira que aponta ao mercado externo onde Portugal “poderá captar residentes, para unidades no sul do país, mas também no Alentejo ou noutros locais, desde que a promoção seja feita e haja qualidade da oferta”.

Jorge Costa salienta ainda a “existência de muitos lares ilegais” cuja reabilitação urge fazer e que poderá potenciar a procura por estas unidades, num negócio que não tem parado de crescer.

“O aumento da esperança média de vida tem impulsionado o negócio das residências adaptadas para a população mais idosa e é uma forte oportunidade de investimento em Portugal, acompanhando a tendência que já se verifica nos mercados internacionais”, admite Paula Sequeira, da consultora Savills. Com uma aposta na oferta de serviços, as residências seniores distinguem-se dos tradicionais lares de terceira idade, com oferta de lazer e serviços de medicina, reabilitação e enfermagem.

LISBOA E PORTO COM 24 MIL CAMAS

Portugal conta com a presença de operadores privados de grande dimensão, como a José de Mello, as Residências Montepio e o Grupo Luz Saúde, porém o país tem registado a chegada de investidores internacionais. Além dos franceses, também os espanhóis da Clece dispõem já de unidades em Portugal.

A Savills regista um crescimento de 81% nos últimos 20 anos, com destaque para Lisboa e Porto, que representam já um quarto da oferta nacional, com 24 mil camas. O Algarve, com 3810 camas é outro dos destinos escolhidos, sobretudo por idosos estrangeiros. E esta “é uma oportunidade de mercado para Portugal, com muitos idosos estrangeiros atraídos pela qualidade de vida e que procuram zonas no litoral”. Os atrativos do país “são conhecidos: clima ameno, segurança e infraestruturas, só falta sabermos promover esta área e isso pode até reanimar o interior do país”, admite Jorge Costa. O administrador da Visabeira não descarta um regresso a esta área de negócio, apesar de, “por enquanto, o foco estar na construção”. Paula Sequeira lembra que “a procura continua superior à oferta disponível e o país pode mesmo assumir-se como destino preferencial dos investidores deste segmento”. Incluindo “na reabilitação ou transformação de muitos dos hotéis que fecharam, devido às quebras no turismo”, conclui.

Com mensalidades que variam entre os €1000 e os €1900, a rentabilidade do negócio tem atraído cada vez mais investidores.

Portugal tem 2482 lares para idosos, dos quais 1753 pertencem a instituições sociais e não lucrativas, apontam os dados da consultora Informa D&B. Com perto de cem mil idosos a viver em lares e residências assistidas este é um sector que gera €330 milhões anuais.

NÚMEROS

17

milhões de euros, foi o investimento da Orpea na construção da unidade de Lisboa, na antiga Universidade Moderna

81%

foi o crescimento do sector registado nas últimas duas décadas, segundo os dados apurados pela consultora Savills

1000

a 1900 euros é a amplitude do preço das mensalidades das residências seniores

2482

é o número de residências para idosos registadas em Portugal, da quais 1753 pertencem ao sector social

Fonte: Expresso


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