Para a entrega rápida de encomendas feitas on-line é importante estar perto dos clientes. Os operadores dos sectores da alimentação e da moda reclamam armazéns maiores e proximidade de boas vias de comunicação.

Armazéns mais altos, com capacidade de automação, com áreas entre os 10 mil e os 20 mil metros quadrados (m2), localizados junto de autoestradas ou na periferia das cidades e aptos para responder ao crescimento do comércio eletrónico. São estes os “desejos” para 2021 dos operadores logísticos que tencionam continuar a investir no sector, arrendando novas áreas para as quais não esperam desconto, em resultado da elevada procura.

As intenções foram recolhidas pela consultora Cushman & Wakefield (C&W), que realizou recentemente um inquérito aos principais operadores logísticos que operam em Portugal, com o objetivo de juntar dados sobre ocupação do sector e perceber qual o sentimento do mercado e as suas tendências.

O inquérito, que decorreu após o período inicial de confinamento, permitiu constatar “um forte mercado de locação, com a procura em alta, impulsionada pelo crescimento do comércio eletrónico”, tendência acentuada com a pandemia de covid-19.

Nas respostas dos 31 operadores, mais de metade (52%) assumiu ocupar “unidades com mais de 10.000 m2” e um quarto (23%) já assumiu planos para “expandir a ocupação entre 10.000 m2 e 20.000 m2 nos próximos dois anos”.

A grande maioria dos inquiridos (87%) “já tem operações ou espera vir a operar com comércio online no futuro próximo”, salienta o inquérito da C&W cujas conclusões demonstraram que os novos espaços de logística reclamam “boas acessibilidades, preferencialmente rodoviárias e menos ferroviárias, na proximidade de clientes, como principais preferências de localização”.

Entre os operadores que responderam ao estudo estão transportadores, que fazem o longo curso, e distribuidores, que fazem a “última milha”, ou seja, a entrega ao cliente final, com armazenamento localizado nas periferias das grandes e médias cidades.

Metade dos inquiridos “lida diariamente com e-commerce, que para a maioria representa até 9% da sua faturação anual” e tenciona operar com “processos de robotização e obter certificação de sustentabilidade”.

Os operadores que trabalham nos sectores de alimentação e moda reclamam armazéns maiores, “com maior pé-direito, e com mais de nove metros de altura”.

O que se traduz numa maior “proximidade com os clientes, do que com os fornecedores, como forma de encurtar os prazos de entrega”. E isto porque, como revelou o inquérito, “57% dos transitários não tiveram problemas na cadeia de abastecimento”.

As respostas dos operadores de logística mostram também que estas empresas “cumprem os pagamentos de aluguer e não esperam descontos em futuras locações”. E esta é “uma vantagem para o crescimento do imobiliário corporativo nos próximos anos”, declara Francisco Horta e Costa, administrador em Portugal da consultora CBRE, “uma vez que irá haver menos incerteza do que a que se verificou em grande parte do ano de 2020”.

Francisco Costa aponta os “investidores de renda, que compram produto acabado e a funcionar, com o rendimento associado”, como potenciais interessados. Operações que “devido ao contexto de taxas de juro reduzidas e de falta de alternativas de investimento noutras classes de ativos tem, e vai continuar a ter em 2021, muita liquidez para investir”. Assim estes imóveis “tenham qualidade e estejam arrendados a inquilinos sólidos, em sectores resilientes como a logística”, conclui o responsável.

Mas em perspetiva está também o investimento público, como foi anunciado pelo presidente da Administração Portuária de Leixões, que anunciou o primeiro porto seco do país, que vai ficar instalado na Guarda. Nuno Araújo assumiu ainda durante a apresentação do projeto “a procura de outras localizações, que sejam também elas favoráveis à construção de outros portos secos”, melhorando a capacidade logística do país.

Fonte: Expresso


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