A Câmara de Oeiras conseguiu vender, ao fim de três tentativas, os terrenos de um antigo bairro de lata no município. Chineses pagaram 14,5 milhões, mais meio milhão do que estava a ser pedido.

Costuma dizer-se que à terceira é de vez, e foi mesmo isso que aconteceu com um lote de terrenos da Câmara de Oeiras. Depois de duas hastas públicas falhadas em poucos meses, Isaltino Morais conseguiu alienar uns terrenos com cerca de 10.000 metros quadrados no município, por mais do que estava a pedir. Houve apenas duas empresas interessadas, mas foi uma chinesa que levou a melhor e vai pagar 14,5 milhões de euros.

Depois de uma tentativa falhada a 28 de março e outra a 9 de maio, a Câmara de Oeiras não desistiu e tentou a terceira hasta pública esta quarta-feira, tal como o ECO já tinha noticiado. Os lotes da Pedreira dos Húngaros, onde há anos estava um dos maiores bairros de lata da Área Metropolitana de Lisboa, foram “arrematados pela empresa Índice Plural, sediada em Oeiras, por 14,5 milhões de euros, mais meio milhão de euros do que o preço base estabelecido”, anunciou a autarquia, em comunicado.

Depois de duas hastas públicas a 14 milhões de euros, a autarquia de Isaltino Morais “decidiu manter o preço base de 14 milhões de euros por entender ser o valor adequado para aqueles lotes, em conformidade com o estudo realizado pela Comissão Municipal de Avaliações”.

Para o autarca, “os terrenos do Estado têm exatamente o mesmo valor dos terrenos privados”. Citado em comunicado, Isaltino Morais refere ainda que a câmara de Oeiras sempre defendeu dois princípios: “o primeiro era vender apenas pelo valor adequado, isto é, o valor de mercado; e o segundo era fazê-lo através de hasta pública, de modo totalmente aberto e transparente”.

A câmara de Oeiras tem previstos para estes terrenos vários edifícios, que constam no Plano de Pormenor do Almarjão, idealizado em 1994 exatamente para definir o destino dos terrenos onde estava o Bairro dos Húngaros.

Este plano prevê a construção de edifícios com mais de dez andares, cada um com 24 a 28 apartamentos, num total de 152 habitações, numa área superior a 26.000 metros quadrados. Além disso, está prevista a construção de uma área de 10.528 metros quadrados de comércio e serviços, podendo haver até 699 lugares de estacionamento.

Estes terrenos começaram a ser ocupados nos anos 50 por comunidades ciganas vindas da Hungria (daí o nome Pedreira dos Húngaros), mas o bairro começou a crescer a partir de 1974, de acordo com o Diário de Notícias. Numa segunda fase de ocupação, chegaram a viver lá mais de 3.000 pessoas, vindas maioritariamente de Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Ao todo havia 578 barracas construídas, sendo que a última foi destruída em abril de 2003.

Fonte: Eco Sapo


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