Marca aposta em expansão de norte a sul, no serviço de entregas e em produtos de origem vegetal.

A cadeia de hambúrgueres Burger King tem neste momento 120 restaurantes em Portugal, o último dos quais foi aberto recentemente em Fátima, naquela que é uma estratégia de aposta em cidades mais pequenas. E a ideia é aumentar o número de aberturas por ano, de norte a sul do país, explicou ao Expresso o diretor de operações Burger King para Portugal e Espanha.

“Temos estado a abrir cerca de 15 restaurantes por ano, em média, nos últimos quatro anos, e a ideia é acelerar o plano de expansão”, referiu Jorge Carvalho numa conversa que decorreu antes da situação de emergência relacionada com a pandemia da Covid-19, uma conjuntura que poderá atrasar os planos da marca em Portugal, mas que não altera a estratégia.

Dos 120 restaurantes, 102 são da Ibersol, sendo que apenas três são detidos diretamente pela Burger King e os outros 15 estão com outros dois franchisados. “Em 2017 assinámos um acordo com a Ibersol, que era quem desde 2001 “assumia as despesas” do desenvolvimento da marca em Portugal”, conta Jorge Carvalho. Esse acordo termina este ano e está a ser renegociado. “Temos um plano de aberturas bastante ambicioso, e para este ano está previsto abrir mais de 20 restaurantes.” As novas previsões da Burger King apontam agora para atingir os 200 em quatro anos.

A tendência das lojas de rua

Depois de anos a abrir restaurantes em centros comerciais, os restaurantes de rua passaram a ser o principal foco há cerca de quatro anos. A expansão concentra-se agora em espaços autónomos nos centros das cidades ou próximo deles, com zonas para compra dentro do carro e para as crianças brincarem. “Agora 90% a 95% deverão ser restaurantes de rua com drive in e espaço para os miúdos. Temos algumas localizações novas, que no passado não estariam no radar, como Fátima, Ericeira ou Mafra. Vamos continuar a abrir em Braga, mas também no Porto ou em Lisboa, onde consideramos que há uma subpenetração. Queremos estar em todas as pequenas cidades. A ideia é cobrir o país todo. Estamos a procurar muito ativamente ocupar os centros de Lisboa e Porto”, acrescenta.

O facto de haver bancos ou agências dos correios que saíram dos centros das cidades deixou espaço livre, mas “o problema é que o mercado imobiliário inflacionou demasiado depressa. Gostaríamos de estar mais nos centros das cidades e não só de Lisboa ou Porto, mas também em Aveiro, Braga e Coimbra. Só que a inflação dos ativos nos últimos anos foi desproporcionada e concorremos com outras marcas não só da restauração mas também do têxtil, que também estão a fazer a migração dos centros comerciais para a rua”.

A aposta nas entregas em casa

“Não queremos crescer só com aberturas, mas também com novos canais de venda”, informa Jorge Carvalho. É nesse sentido que a Burger King tem apostado nos serviços de entrega em casa. Apesar de estes serviços estarem a ter um crescimento exponencial, ainda há um longo percurso a percorrer em comparação com Espanha, onde já representam 15%. “Em Portugal ainda não chegamos a 5%. Temos uma plataforma já bastante forte, além de uma parceria com a Uber Eats. O nosso objetivo este ano é passar dos 30 restaurantes que têm este serviço para pelo menos 60.”

A marca não colocava a hipótese de ter parcerias com plataformas como a Uber, mas decidiu avançar num modelo em que continua a ser responsável pelo processo logístico. “Assusta-nos entregar o controle de todo o processo, nomeadamente a qualidade da entrega a um terceiro. Por isso a Uber injeta os pedidos que recebe através da sua plataforma, mas somos nós os responsáveis pela produção e pela entrega, com nossas motas e as nossas bolsas quentes.” Jorge Carvalho explica o que está em causa: “As plataformas têm uma bolsa onde entra tudo e isso assusta-me por causa da qualidade da comida, a contaminação cruzada que pode haver, o que pode ter viajado dentro daquela bolsa…”. Em breve a marca começará também a trabalhar com a Glovo.

“Este ano o objetivo é terminar com 95% dos restaurantes com quiosques digitais, que permitem às pessoas fazer diretamente as encomendas e recolhê-las ao balcão. E queremos testar o serviço de entrega à mesa, mas ainda não temos previsto o seu lançamento.”

A crescente procura de alimentação saudável e sem origem animal levou, no final de 2019, a Burger King a lançar o hambúrguer Rebel Whopper, feito com uma base vegetal, mas que tenta simular o sabor da carne. Jorge Carvalho diz que a empresa quer eliminar rapidamente todo o plástico e melhorar a gestão dos resíduos de águas e que começou a instalar painéis solares.

Fonte: Expresso


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