No total vão ser 70 mil metros quadrados de escritórios que estarão concluídos em meados de 2023. Objetivo é arrendar todo o espaço, com a maioria da procura a ser de empresas de novas tecnologias.

A promotora imobiliária Avenue vai investir 190 milhões de euros para oferecer à cidade de Lisboa 70 mil metros quadrados de escritórios. A construção do EXEO Office Campus já se encontra em andamento, num complexo constituído por três edifícios: o Lumnia, com oito pisos e cerca de 30 mil m2 de área bruta de construção, tem a sua conclusão prevista para o segundo semestre de 2021, ano em que arranca a construção do Aura, um edifício com 11 pisos e cerca de 17 mil m2. Em 2022 terá início a construção do Echo, com aproximadamente 21 mil m2 e sete pisos, estando a conclusão do projeto previsto para meados de 2023.

“O objetivo deste modelo é o arrendamento de todo o espaço, que tem uma procura predominante de empresas de IT e novas tecnologias, que acaba por ser muito do perfil do Parque das Nações”, afirma em entrevista ao Jornal Económico, Aniceto Viegas, diretor-geral da Avenue. O responsável explica que na base da realização deste projeto esteve o facto de que em 2018 “o mercado de escritórios estava com muito pouca oferta”.

Para a construção deste espaço de escritórios, Aniceto Viegas traçou três premissas: “primeiro ter escala para fazer algo diferente, porque o EXEO é um espaço de escritórios que vive do interior mas também do exterior, ou seja, alguém tanto está a trabalhar dentro do edifício como no jardim ou terraço”.

A segunda permissa passava “por estar perto dos transportes públicos, era fundamental”. E por fim, “estar numa zona onde os escritórios são mais modernos e em linha com a procura nacional e internacional, como é o Parque das Nações”.

Além dos três edifícios de escritórios, o EXEO vai dispor de 15 mil m2 de jardins, divididos em três conceitos: “o central garden, uma zona mais formal e de acolhimento, o chillout garden, rebaixado e com uma ponte que interliga os edifícios Lumnia e Echo e o último jardim que terá um anfiteatro natural, muito propício a apresentações e eventos de empresas ou culturais”, explica Aniceto Viegas. Os valores médios de arrendamento rondam os 19,50 euros/m2.

O responsável admite que o espaço vai ter “utilizadores de co-working, mas não vamos explorar diretamente o co-working ou ter uma estrutura dedicada a isso”.

Questionados sobre outros projetos na calha, o responsável assume que continua “a olhar com interesse para Lisboa e queremos alargar para o Porto, que neste momento tem uma dinâmica de escritórios bastante interessante”, acrescentando que gostaria “de pelo menos até o final deste semestre ter um projeto de escritórios no Porto”.

Fazendo um balanço do setor em 2019, o diretor-geral da Avenue acredita que “o país não teve mais procura, porque não havia espaço”. “Neste momento existe uma taxa de disponibilidade global em Lisboa de 5,4%. Para Lisboa em si, ou seja a zona do centro, riverside, falamos de 3% e depois o Parque das Nações com uma taxa de 1,7%, ou seja não é nada”.

Para este ano salienta que “existem vários projetos em lançamento no mercado e a oferta andará pelos 200 a 230 mil m2 de absorção”.

Portugal continua a ser um mercado apetecível para os estrangeiros apesar de “as rendas tendencialmente irem subir, mas isso é o efeito de haver pouca oferta, mas também de rendas que não se atualizaram durante muitos anos”, refere Aniceto Viegas, sublinhando que “o mercado de escritórios teve uma grande estabilidade nos últimos dez anos e agora está a recuperar algum valor”, mas diz não acreditar que suba muito ao longo dos próximos anos. “Poderá ter uma valorização de entre 10% a 20% no máximo. Os outros países aceleraram muito mais”, dando o exemplo da Alemanha, França e até Espanha, onde “as rendas subiram imenso nos últimos anos”. “Hoje em dia temos um mercado competitivo em termos de rendas e uma mão de obra muito qualificada em Portugal. Somos de fácil acessibilidade, estamos a pouco mais de três horas de qualquer capital europeia. Temos uma legislação laboral bastante equilibrada e que tendencialmente favorece o investimento de outras empresas”, explica.

Como tal, o responsável realça que o setor de escritórios atualmente se encontra estabilizado. “Em 2012 havia uma desconfiança nacional e internacional para que houvesse mais investimento nas empresas, mas hoje em dia está em franca recuperação”, conclui.

Fonte: Jornal Económico


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