Empresa alemã ultima negócio imobiliário no Porto e quer financiar projetos de eficiência energética em Portugal.

Portugal tem sido uma plataforma de investimento recorrente para a gestora de ativos alemã Aquila Capital. Em 2017, a empresa, com sede em Hamburgo, anunciou a compra de quatro centrais solares com uma capacidade de 170 megawatts (MW), em 2018 comprou à EDP um lote de 21 pequenas centrais hídricas e em 2019 investiu €100 milhões num ativo imobiliário na Azambuja… E agora prepara-se para um novo investimento imobiliário em Portugal, próximo do Porto, revelou ao Expresso Lars Meisinger, administrador da Aquila Capital que lidera a área de assessoria de clientes internacionais.

Em maio deste ano, a Aquila Capital abriu o seu escritório em Portugal, um pequeno espaço em Lisboa, onde trabalha uma equipa de uma dezena de pessoas, que Lars Meisinger acredita que crescerá. “Temos planos para ampliar a equipa de acordo com a nossa perspetiva de crescimento em Portugal”, indica o gestor, que antes de se juntar à Aquila Capital, em 2016, já tinha passado pelas áreas de gestão de ativos do UBS e da Blackrock.

Hoje, a Aquila Capital gere ativos de €11 mil milhões, contando com investidores institucionais não só da Alemanha mas também de outros países. Grande parte da aposta da empresa está na área da energia, onde procura ativos que, estando associados a contratos de longo prazo, proporcionem cash-flows estáveis e uma rentabilidade previsível. Fez os seus primeiros investimentos em pequenas centrais hídricas em 2008, na Noruega, sendo hoje um dos maiores operadores de mini-hídricas na Europa. Mas o negócio em Portugal, onde a Aquila já tem ativos de energia hídrica e solar, passa também pelo imobiliário.

Em agosto de 2019, investiu €100 milhões num imóvel na Azambuja, onde irá desenvolver um parque logístico “verde” com 115 mil metros quadrados de área bruta locável. A construção deve arrancar em setembro e ficar concluída no final de 2021. Depois de Portugal, a Aquila também realizou investimentos imobiliários em Espanha e Itália. “Em Portugal, continuamos em busca de mais oportunidades no mercado imobiliário logístico e estamos a dar os passos finais para o nosso segundo negócio no país, que será feito perto do Porto”, revela Lars Meisinger. O objetivo da Aquila é que cada ativo imobiliário seja ambientalmente sustentável, com painéis solares no topo e dotado de sistemas que permitam neutralizar as emissões de carbono associadas aos edifí­cios. Segundo o administrador, a empresa não tem um plano específico e calendarizado para futuras aquisições e projetos imobiliários.

Em maio, a Aquila Capital abriu o seu escritório em Lisboa, onde trabalha uma equipa de uma dezena de pessoas, que deverá crescer

E uma nova área de negócio em que a Aquila quer entrar é a dos serviços de eficiência energética, que cruza justamente a área da energia e a do imobiliário: adotando planos que reduzam os consumos energéticos de um edifício, este torna-se um ativo mais apetecível para investir.

“Estamos a entrar na área da eficiência energética em Portugal, embora ainda não tenhamos desenvolvido nenhuns projetos. Há várias razões que tornam Portugal muito interessante para os nossos projetos de eficiência energética: custos de energia relativamente altos, recursos renováveis vantajosos, um quadro regulatório favorável e potencial inexplorado em alguns sectores e tecnologias”, aponta Lars Meisinger.

O gestor da Aquila Capital revela ao Expresso que a estratégia da empresa passa por financiar projetos de eficiência energética de pequena e média dimensão, que sejam postos em marcha por empresas financeiramente sólidas e por entidades estatais. Esses projetos poderão incluir a instalação de iluminação LED, caldeiras de elevado desempenho, centrais de cogeração, bombas de calor e instalações fotovoltaicas que produzam eletricidade para autoconsumo.

“Trabalhamos de perto com empresas de serviços energéticos [também conhecidas como ESCo, de Energy Service Companies] locais ou regionais, empresas de engenharia, fornecedores de tecnologia e instaladores, que desenvolvem e implementam os projetos para os clientes. Atualmente estamos a analisar vários projetos de iluminação e cogeração para um conjunto de entidades públicas e empresas privadas”, explica Lars Meisinger.

No total, a base de ativos geridos pela Aquila Capital inclui 617 MW de pequenas centrais hídricas (somando unidades em operação e em projeto), 2197 MW de parques eólicos (também juntando os operacionais e os que estão em desenvolvimento), 3649 MW de centrais solares, vários investimentos em infraestruturas, imobiliário logístico com mais de 652 mil metros quadrados, quase 10 mil hectares de floresta e ativos agrícolas que in­cluem… 12 mil vacas.

Fonte: Expresso


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