A logística está a crescer no Interior do país, despertando a procura por novas áreas de localização, em zonas industriais e em terrenos que estavam abandonados, em lugares privilegiados junto às autoestradas e linhas ferroviárias.

Todas as semanas partem de Moimenta de Maceira Dão, no concelho de Mangualde, vários camiões refrigerados com destino à Europa, consolidando cargas da indústria agroalimentar que seguem para a exportação. Não é caso único.

Na Guarda está localizado o maior operador ibérico de transporte em frio, valorizando os terrenos abandonados, que se encontram disponíveis e obrigando à ampliação dos polos logísticos.

A procura por estes terrenos está a valorizar o negócio imobiliário, com preços que variam entre os €3 dos terrenos infraestruturados — financiados muitas vezes por fundos comunitários — e os €10 o metro quadrado, em terrenos abandonados que beneficiam da localização. Uma procura estimulada pela pandemia e o aumento do comércio eletrónico e que obriga também à ampliação das plataformas logísticas. A linha de fronteira com Espanha torna-se um local estratégico para a recolha e distribuição de produtos que se destinam à Europa, colocando Portugal mais perto das principais rotas internacionais.

“Com apenas seis lotes disponíveis a Plataforma Logística da Guarda já não responde à procura e vai ser ampliada”, explica o autarca da Guarda. A 3ª fase de expansão fará surgir “mais 41 lotes de terreno, perfazendo um total de 190 lotes”, explica Carlos Chaves Monteiro.

Cada terreno, “já infraestruturado e numa localização apetecível, é vendido a € 3,92 o metro quadrado”, esclarece o edil.

Mais €1,25 milhões na Guarda

Localizada na confluência das autoestradas A25, que liga o Porto de Aveiro a Vilar Formoso, e a A23, que liga a Lisboa, a Plataforma tem sido procurada por vários operadores que “procuram encurtar o prazo de instalação”, conta Carlos Chaves Monteiro. A ampliação deste polo logístico resulta de um investimento de € 1,25 milhões que deverá ficar concluído em 2021.

A logística pode funcionar como uma centralidade para o interior do país

A Plataforma conta hoje com um Parque TIR para apoio à camionagem, com 110 lugares, 15 deles específicos para transporte de frio. O concurso público da empreitada, que será candidata a fundos europeus, “procura evitar que sejam esgotados os lotes disponíveis e assim manter a resposta aos empresários que têm procurado a Guarda para se instalar”.

Com 96 hectares a Plataforma tem capacidade para alfandegar e desalfandegar mercadorias que saem e entram em Portugal, estando ocupada por 70 empresas, gerando 500 empregos. Até ao momento a Plataforma Logística tem vendidos um total de 149 lotes, estando prevista a criação cerca de 600 novos postos de trabalho, depois de concluídos os novos investimentos. O valor do investimento privado, até à data, ronda os €60 milhões. Por concluir está apenas o terminal ferroviário de contentores, que ficará localizado na confluência das Linhas Ferroviárias da Beira Alta e Beira Baixa, numa zona propriedade da Infraestruturas de Portugal e que dispõe de capacidade para 400 TEU — um TEU é equivalente a um contentor de 20 pés. São estas “condições que explicam a apetência pela Guarda dos operadores logísticos”, resume Carlos Chaves Monteiro.

É na Guarda, que integra a rede nacional de plataformas logísticas, que está um dos maiores operadores de transporte refrigerado e armazenagem, com instalações que ocupam 6,5 hectares e capacidade de frio para 30 mil metros cúbicos. Aqui é agrupada muita da produção agrícola do país, que depois segue com destino à Europa. Como acontece em Mangualde, com outra empresa. “A STEF tem um centro de consolidação de cargas, sobretudo do sector agroalimentar, que depois seguem com destino à Europa”, explica o presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM). Pedro Polónio, que é também administrador da Patinter — a maior transportadora ibérica com sede em Mangualde, explica que os operadores logísticos “procuram instalar-se mais perto da fronteira pela vantagem económica e concorrencial neste negócio. Ficam mais perto das rotas de exportação a que se junta a existência de mão de obra especializada”.

Em Mangualde, localizada entre a A25 e a Linha Ferroviária da Beira Alta, tem-se sucedido a instalação de operadores logísticos.

O último foi a JLS, uma empresa de transportes que vai ocupar 80 mil metros quadrados de terreno. No concelho “as zonas industriais já não têm lotes disponíveis, estamos a estudar novas localizações, mas, entretanto, optamos por valorizar muitos terrenos inertes, nas imediações da autoestrada”, diz o Presidente da Câmara. Elísio Oliveira explica que “foi assim que a JLS adquiriu cerca de 80 mil metros quadrados, visando investimentos futuros”. A JLS tem cerca de 350 trabalhadores, 300 camiões e um nível de faturação de €26 milhões. No concelho de Mangualde existem 50 empresas dedicadas ao transporte de mercadorias, nacionais e internacionais, com mais de 1500 trabalhadores.

Magualde Especializa-se

A autarquia “fez de facilitador e conseguiu a colaboração dos diversos proprietários dos terrenos que viabilizaram esta operação”.

No concelho, os terrenos “são vendidos com preços que variam entre os €3 e os €10, consoante a localização. É uma fórmula que encontrámos para promover o investimento a custo zero e rentabilizar terrenos que não estavam valorizados ou ocupados. O concelho está a especializar-se em logística e transportes”. Primeiro, foi a Lecitrailer, líder ibérico na montagem de carroçarias, que escolheu Mangualde para ali investir €3 milhões num projeto, assume Elísio Oliveira, que “vem enriquecer a fileira do transporte e da logística”. O construtor espanhol vai ocupar um terreno comprado a particulares, junto a Água Levada. Na calha, está outro projeto para 150 mil m2, também comprado a particulares. Foram estas infraestruturas e terrenos disponíveis que para ali levaram também a ANTRAM, que está a criar um polo de formação na cidade. O presidente da associação reconhece que “a existência de conhecimento especializado acrescenta valor a estes territórios e permite fazer crescer um cluster com ganhos para a economia e para o emprego”, sintetiza Pedro Polónio que assume que “a logística pode funcionar como uma centralidade para o interior do país”.

Mais a sul a mesma centralidade está a ser aproveitada por Elvas que já tem em funcionamento a primeira fase da Plataforma Logística do Sudoeste Europeu, com 60 hectares, infraestruturados, num investimento de €13 milhões que deverá ficar concluído até final do ano.

Fonte: Expresso


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