Embora com a economia praticamente parada, os preços mantiveram-se estáveis.

O preço de venda das casas em Portugal Continental mantém o registo de estabilidade, apresentando uma variação mensal de -0,2% em julho. Os números são da Confidencial Imobiliário, consultora de referência no sector. Desde o início da pandemia, os preços da habitação têm registado variações em cadeia residuais de entre um máximo de 0,9% e um mínimo de -0,2%.

Contrariando muitas previsões de queda, o mercado habitacional tem sido lento a reagir à crise sanitária provocada pelo surto de covid-19. Essa é, aliás, uma das principais características do sector: “Lento e resiliente”, como já havia referido ao Expresso o diretor da Confidencial Imobiliário, Ricardo Guimarães.

“Apesar de os preços registarem uma variação em cadeia negativa, esta é muito residual e não é inédita, mesmo no ciclo de forte valorização do mercado a que assistíamos no início de 2019”, refere o diretor da consultora. “Em geral, os preços mantêm-se globalmente estáveis por agora e não se antecipa uma correção drástica e abrupta.”

Segundo o Índice de Preços Residenciais (IPR), que acompanha a evolução dos preços de transação de habitação a partir dos dados reportados ao Sistema de Informação Residencial (SIR), as últimas variações mensais negativas, também em torno de -0,2%, foram observadas em dezembro de 2018 e janeiro de 2019, um momento isolado num período então de forte aceleração da valorização.

Em termos homólogos, os preços das casas aumentaram 12,2% em julho. Tal valorização fica mais de cinco pontos percentuais abaixo das variações de cerca de 17% observadas em janeiro e fevereiro, confirmando a perda de ritmo nas subidas homólogas. Ainda assim, o que se verifica é uma descida no preço anunciado, já que uma parte substancial da oferta está associada a uma expectativa de futura valorização.

Se essa perspetiva geral está condicionada, “é natural que isso reflita o valor pedido pelos proprietários”, referiu Ricardo Guimarães, acrescentando que se verifica “um estreitar entre o preço pedido e o valor do negócio fechado.” A pandemia não impôs apenas o confinamento e a paragem da economia: no mercado imobiliário, registou-se um reflexo em termos de volume de vendas, não tanto nos preços. Um fator que Guimarães considerou “normal” para alguém que está a “iniciar um processo de compra”.

Em crises anteriores, como a verificada em 2007 e 2011, o mercado imobiliário foi dos principais responsáveis pela recuperação da economia. O tempo será agora um fator chave, numa crise que afeta o mundo inteiro. Nos últimos anos, o investimento estrangeiro em Portugal foi uma das âncoras para a reabilitação de cidades como Lisboa — com repercussões nas contas do país. Mas esses investidores, disse Ricardo Guimarães ao Expresso, não “nos olham à distância”. “Mantêm a confiança no nosso país. Uma questão que não ignoram é a estabilidade política e a gestão da pandemia.”

RENDAS DESCEM

Ao contrário dos preços de venda, as rendas em Lisboa — o mercado mais elevado do país — já começaram a dar sinais de descida. O segundo trimestre de 2020 confirmou a tendência de redução, com uma queda na ordem dos 6,9% relativamente ao anterior, e de 8,7% em termos homólogos. Tratou-se da maior queda dos últimos 10 anos e será necessário recuar até 2012 para identificar uma descida homóloga tão acentuada, na altura de -9,1%.

A nível nacional, depois de sustentar as rendas em patamares positivos no primeiro trimestre, o mercado também cedeu no segundo trimestre, registando uma descida em cadeia de 2,8%. “Tal como em Lisboa, esta foi a contração trimestral mais acentuada do IRR nos últimos 10 anos”, refere a consultora. No ano passado, Lisboa apresentava um preço de €15,2/m2, enquanto no Porto a diferença era de 70%. Preço por metro quadrado: €10,7.

Fonte: Expresso


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