Em 2019, a sociedade de advogados concretizou o maior negócio hoteleiro em Portugal.

Foi a maior operação imobiliá­ria de 2019. No ano passado, Francisco Lino Dias assessorou a venda de um portefólio de hotéis — o Tivoli Avenida Liberdade Lisboa, o Tivoli Orien­te Lisboa e o Avani Avenida da Liberdade, propriedade dos tailandeses da Minor —, por €313 milhões, à gestora de investimento imobiliário global Invesco. A operação liderada pelo jurista da PLMJ deu um forte contributo para as contas da sociedade de advogados, cujo departamento de imobiliá­rio assessorou negócios e investimentos que ascenderam a €1000 milhões.

“Foi um ano muito bom, acima das nossas expectativas, porque 2018 já tinha sido fantástico, com vendas de ativos daquelas que aparecem a cada 10 anos. Mas 2019 foi ainda melhor”, diz o advogado, sentado num dos gabinetes do edifício FPM41, a torre nas Picoas que esteve no centro de uma enorme polémica, adquirida pelo fundo alemão Deka Immobi­lien por €125 milhões. Com uma área de 22.500 m2, tem como inquilinos a sociedade de advogados e a consultora KPMG.

O jurista prevê uma “viragem” no sector do imobiliário de luxo em 2020. “Começa a assentar. Há uma distância maior entre o preço a que as casas são colocadas no mercado e aquele a que são efetivamente vendidas”, diz ao Expresso. “A grande mudança será o desenvolvimento do mercado para a classe média alta.”

Se até agora os investimentos partiram, sobretudo, de empresas internacionais, “as baixas taxas de juro e a maior facilidade em conseguir crédito bancário” poderão abrir caminho aos investidores nacionais. A expectativa é a de que o imobiliário residencial de rendimento se desenvolva nos próximos anos. “Há uma maior procura de projetos para o investidor nacional, não tanto em Lisboa, mas nas zonas limítrofes, como Miraflores ou Carnaxide, onde existe uma série de projetos residenciais para a classe média. As próprias SIGI – sociedades de investimento e gestão imobiliária – são um incentivo ao desenvolvimento do imobiliário de rendimento.”

Com uma carteira de clientes habituais, Francisco Lino Dias trabalha sobretudo na área da aquisição de edifícios, reabilitação, construção e comercialização. Trata-se de um sector que tem vindo a ganhar espaço nas principais sociedades de advogados portuguesas. Segundo uma investigação da revista espanhola “Iberian Lawyer” às 30 maiores sociedades a operar em Portugal, em 2018 a faturação destas sociedades rondou os €445 milhões.

A PLMJ, que tem uma equipa de imobiliário com perto de 40 juristas, atingiu os €55 milhões. A assessoria à Morgan Stanley e ao fundo Horizon na venda das torres de telecomunicações da Altice Portugal foi um contributo de peso para o fecho desse ano.

Questionado sobre a escalada dos preços das rendas em Lisboa, Francisco Lino Dias justifica-o com o crescente interesse que a capital portuguesa tem gerado a nível internacional. Mas a cidade ganhou outra vida e mais oferta, os valores praticados podem ser um factor de ponderação para novos investidores internacionais.

“Começam a reposicionar os seus investimentos e a pensar se faz sentido apostar em imóveis para vender a €12.000/m2. Além disso, há uma enorme escassez de espaço. O novo Regime de Arrendamento Urbano cria dificuldades no que tem sido uma tendência: reabilitar no centro da cidade.

Hoje, se compro um imóvel na Baixa de Lisboa para fazer um hotel, vou estar dois anos a aguardar licença, mais o tempo de construção e a espera pela licença de utilização. Até abrir portas, serão necessários uns quatro anos, o que é péssimo para os investidores, porque exige uma estrutura financeira muito sólida”, conclui o jurista.

Fonte: Expresso


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